Tens algum amigo? – perguntei-lhe, depois de horas de silencio a cofiar-lhe o pelo atrás do pescoço.
Que pergunta mais infantil... – comentou, bem baixinho.
Estou a falar de amigos a serio. Dos que te fazem companhia quando a única coisa que queres mesmo é saltar do penhasco. – a minha voz devia parecer mais seria do que pretendia, ela olhou-me de relance, pelo canto do olho, a conferir a minha expressão.
Hmmm... – o tom de voz dela mudou – tenho um, sim.
Como é que é?
Ela? É uma jaguar como...
Não. Como é que é ter uma amiga assim.
Ela suspirou – É estranho. Mas é bom. Sentes-te mais firme no chão que pisas, sentes-te mais vivo quando tens um amigo por perto. Quase como se fosses mais forte. Tens pontos extra, tipo bónus. – riu-se. Entretanto olhou para mim. Para dentro de mim. – e tu?
Demorei a responder.
Tenho uma.
Tens uma. – ela respondeu ao mesmo tempo que eu, de olhar cravado em mim. Sorri, embora o seu sorriso se desvanecesse suavemente.
E estou abraçado a ela.
Por acaso não serei eu?
Podes parar de adivinhar?
Isto é tão divertido!
Estacámos, nos braços um do outro, a olhar-nos nos olhos, a respiração muito calma. Ela sorria levemente, com os olhos brilhantes, fulgurantemente belos.
Estou com cara de parvo.
Tu sabes que não estou a reparar nisso.
Ah! Portanto confessas que estou de facto com cara de parvo!
Agora já não. – e desatámos a rir.
2 comentários:
Tão lindo...
Enviar um comentário