quinta-feira, 16 de abril de 2009

Edward Cullen & me. a conversa que nunca poderia acontcer.

Apaixonei-me por Edward assim que o vi. Tudo nele era excessivamente belo, desnaturadamente perfeito, tão avassaladoramente intenso que apenas olhá-lo era um risco pessoal. Conheci-o. Tudo nele dava a falsa sensação de ser calculado, desde a sua voz de veludo aos seus olhares trespassantes, pequenas nuances que emanavam fluentemente da sua figura helénica, nos momentos mais deliciosos, fazendo da sua personalidade novecentista um requinte perigosamente sedutor.
Amei-o. As sensações que provocava em mim eram implacáveis e violentas como uma catástrofe bíblica, e marcavam-me como nunca antes outro ser conseguira. O toque da sua mão de veludo no meu rosto – da primeira vez que se atreveu, para deleite de todos os meus loucos desejos – e a leveza deliciosa com que a sua voz largava o fim das palavras em pleno ar, os seus olhos no fundo – bem no fundo – dos meus... foi ele quem me fez sentir todas as insignificâncias que dão significado à vida, e eram com ele tão mais ardentes do que imaginara...
A seu tempo, entreguei-me. E ele a mim.

Então outro Edward se mostrou as meus olhos.
Um Edward jovial, leve, tonto. Docemente tonto. Uma criança por detrás do Cullen que conheci primeiro.

-- Hoje é a minha vez de te fazer perguntas. – disse.
Ele olhava-me pelo canto do olho, o seu sorriso infantil nos lábios finos. Os seus olhos negros concediam-me esse desejo.
-- O que queres saber?
-- Uma coisa apenas. Porquê.
O seu rosto fechou-se. Mostrava-se intrigado.
-- Porque dois Edward’s? Não achas que um só é já bom demais? – ele riu-se, inocentemente.
-- Em oitenta anos de convivência com vocês, entenda-se humanos, aprendemos a esconder tudo o que possa ser-nos fatal. – nos seus olhos já não havia rancor, nem pena, mas via-se bem que essa era uma dor que já sarara. – So posso realmente ser assim com quem posso confiar.
Suspirei. – Não sei se alguma vez te apercebeste, ou se to deram a entender, mas essa tua dualidade só te torna ainda mais irresistível... – “como se isso fosse possível”, pensei para comigo.
-- Não consegues mesmo parar de confessar o efeito que tenho em ti, pois não?
Revirei os olhos, embora soubesse bem que ele não estava enganado. Era o tipo de pergunta que não podia esperar do Edward mais reservado. Esse teria o cuidado de elaborar algo mais subreptício, algo que tivesse um toque de galanteio, ou um segundo significado. Este seduzia em proporção igual, mas pela sinceridade suave, pela ausência de jogos, pela simplicidade e pelo conforto que me entregava, como se as suas palavras convidassem as minhas a aninhar-se no seu peito.
-- Não. – confessei, semicerrando os olhos com ternura, e ele respondeu com um sorriso amável.
-- Eu sei – não estava a ser presunçoso, mas sim a gracejar com simplicidade.
Ali, no seu carro, parados em frente à casa de Charlie, o tempo parecia ter parado, no conforto da inexistência de labirintos de palavras, de sentidos, de segredos. Aquele Edward era perito em deixar-me descontraída, na falsa certeza que responderia sem rodeios a qualquer pergunta que fizesse, mantendo o equilíbrio de não fazer qualquer pergunta de volta.
-- Mas o meu porquê não era nesse sentido. Não queria perguntar porque o esconder, mas porque o existir.
Ele expirou pelo nariz e revolveu-se na cadeira, sorrindo levemente.
-- Sabes, Bella... ser o Edward é muito agradável para todos. Excepto para o Edward que vive lá dentro. Leio nas mentes das humanas como todas anseiam pela minha atenção, por que eu repare nelas, até. Mas só tu, Bella, tiveste esse efeito em mim. É um jogo complicado, tirar prazer de uma relação em que temos que não nos mostrar agradados.
Como eu o percebia... E como era tão saboroso estar ali com ele, na completa ausência dessa premissa.
De repente percebi o quanto eu significava para ele. Naquele jogo de sinceridades, não há espaço a subtilezas, e tudo o que não se pode dizer abertamente tem que ficar em segredo. Antes que me pudesse me conter, inebriada na segurança de poder falar sem que possam existir deslizes, perguntei-lhe:
-- Porque não me disseste antes que me amas?
E a resposta foi sublime, tão fácil como perguntar as horas.
-- Porque nunca me perguntaste.

O Charlie chegava nesse momento à estrada nacional, e como um radar, Edward soergueu-se no assento. Estava na altura de nos despedirmos, e o pesar de o sabermos estava bem marcado nos olhos dele. Esperava que não estivesse nos meus...
Ao abrir a porta do carro, a brisa fria invadiu violentamente o habitáculo, como se durante todo aquele tempo tivesse estado do lado de fora à espera, impacientemente, e não só varreu o calor como também o ambiente. Ao descer para a estrada, não só estava a sair do carro como também daquele mundo tão nosso, tão só nosso. Edward voltara a ser o homem da minha vida, arrumara a criança bem dentro de si.
-- Dorme bem, Bella. – disse com o seu tom de voz mais grave, mais arrasador. Limitei-me a morder o lábio. Como se naquele momento fosse capaz de dizer o que quer que fosse...
Bati com a porta, com um pouquinho de força a mais do que pretendia, e o Volvo prateado acelerou rua fora. No preciso momento em que Edward desaparecia ao longe, Charlie dobrava a curva na outra ponta da rua.
-- Bella? Porque estás cá fora?
-- Por nada. – “Acabei de me despedir de um sonho”, pensei. “Só isso.”

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