É uma frase que tem dominado a minha vida em demasiados aspectos, ultimamente. Estou demasiado farto, e de coisas demais.
Hoje, entre sete horas de trabalho estupidificante e um concerto que fui obrigado a fazer – sim, sem almoço contemplado pelo meio, estou a escrever de barriga vazia – decidi rasgar a tarde e ir ate a uma esplanada numa praia perto do sitio onde vivo. “Com alguma sorte, desta vez já têm o queijo e o fiambre que faltou da ultima vez que lá fui, aquela em que pedi uma tosta...” – pensei eu.
O caminho para esse bar é privado. Cobra-se estacionamento, com cancelas à entrada. Lá fui eu, satisfeito da vida, conduzindo devagar e de vidro aberto pelo caminho ladeado de arvoredo, saboreando o ar que a cada metro se tornava mais perfumado, mais recheado de maresia e sal.
Parei e estacionei o carro, de costas, fazendo a manobra em quatro vezes, com calma. Sorri à senhora impaciente que estrebuchava por chegar quanto antes ao exacto local onde se ia por a relaxar, enquanto eu, já relaxado há muito, saí do meu bólide com notória satisfação por finalmente voltar a sentir no pelo o calor do sol vermelho do entardecer.
Subi ao bar, no topo de uma duna, e interpelei o empregado por uma bebida fresquinha, ele disse-me que me acomodasse num lugar do meu agrado, que me levaria um cardápio.
Peço desculpa pelo léxico jocoso da minha descrição, mas neste momento estou á beira de uma explosão de riso.
Ora bem, estava na parte do escolher uma linda chaise-long com vista para a rebentação, generosamente banhada pelo sol. Sentei-me, atendi uma chamadinha, cocei variadas vezes o traseiro... e ao fim de 20 minutos levantei-me.
Desta vez, não só não tiveram queijo e fiambre, como não tiveram tempo para mim. E eu, relaxadamente vim-me embora, com uma inóspita vontade de me rir desbragadamente perante o livro de reclamações.
Mas é que juro mesmo que não estou sequer incomodado... só achei piada...
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