Levantei-me do meu canto e virei as costas a todos. Ninguém me perguntou o que quer que fosse, duvido até que me tenham visto retirar-me. Ainda estou à espera que nasça a criatura que haverá de olhar para mim.
Cheguei ao penhasco; uma ravina ingreme que desaparece mil metros mais abaixo numa neblina densa como rocha firme. E se eu saltar?... afinal, não deixaria ninguem no mundo que precisasse de mim, ninguém que viesse procurar o meu corpo, para além dos abutres. Nada me separava daquele precipício, mais do que eu ja me afastara da minha própria familia.
De que vale ser o melhor nas caçadas? De que vale o sangue frio, o salvar as crias imundas dos chacais, de que serve tudo isso? Estão todos demasiado ocupados a olhar para o próprio pelo... e tudo serve de brincadeira, não importa o quão eu tente.
Olhei por cima do ombro, para as arvores esguias de troncos afiados.
"Ninguém me vem salvar."
Olhei uma vez mais para o abismo, e pisquei-lhe o olho.
"Uma vez mais, vou ter que me salvar a mim próprio. Fica para outro dia."
3 comentários:
Há sempre alguém no mundo que precisa de nós... acredita nisso... que é certo... ;)
ate pode haver, mas... no meu caso raramente está la. ironias...
ja agora, porquê um comentario neste post e não noutro (mais interessante)?
sabes que isso do interessante é meio subjectivo... não sei porque comentei este e não outro... talvez porque me tenha revisto em certas partes... talvez... talvez porque tenha sentido uma necessidade qualquer de participar nesse teu "auto-salvamento"... não sei... gostei... pronto... não te respondi exactamente, mas enfim... tentei ;)
Enviar um comentário