terça-feira, 8 de janeiro de 2013

As lições, as lições. Já sei, o tanto que tenho para aprender, e mais o que virá. E que não sou autodidata, que me dou a compulsões, que tenho pressa de andar mais depressa do que me é devido. Dá-me a vida em pequenas porções, para que não me avassale a gula de viver tudo de uma vez. As linhas na minha mão são compridas, e há pouca manteiga para tanto pão. Mas na sede de levar toda a água do cântaro à boca, escorre-me metade pelos cantos dos lábios, pelo peito abaixo e pelas abas da camisa, perde-se no chão. Metade do sabor, metade do calor. Fica a fome crua insatisfeita, fica o seu revolver em mim, e a tristeza acomoda-se. A tristeza de não poder, a dor de às tantas já não querer, a dor de estômago da fome antiga, o esgar na cara, o frio nas costas, o arrastar de pés, o desespero e a infelicidade de ser quem sou.
E nisto a luz vem e passa, vem a noite e passa, mudam as cores e tinge-se o céu, são outros os pássaros, outras as canções, mas o chão é o mesmo, e o tecto. Mudam-se apenas os reflexos que entram pela janela.

Wolve

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