Como é que se chega a um sítio que não se sabe onde fica? Vejo-o cada vez que fecho os olhos, como um neon do lado de dentro das pálpebras, nos anúncios na rua, nos sinais na estação dos comboios. Mas apesar de querer muito chegar lá, os pés tropeçam em todas as esquinas, não há curva que se desfaça na boca com sabor a certo. Tudo leva a nenhures, e às tantas faz-se noite. E quando está na altura de voltar para casa, quase se tem que pedir direcções ao taxista na praça. Mas não é em casa que se quer estar, e no dia seguinte voltamos a calçar os sapatos cansados, e a percorrer o mesmo caminho gasto de tanta sola. Os cantos perdidos e errados começam a ser familiares, mas não deixam de saber a perdidos e errados, encontrados por acaso quando na verdade o que se queria era outra coisa. Mas não se sabe o que essa coisa é.
Dizem que já está em mim o mapa, mas não vejo onde. Estou, provavelmente, sentado em cima dele. Em cima dele, do GPS, do passe e das chaves do carro, de tudo o que me punha lá num instante.
1 comentário:
Talvez seja preciso tactear até encontrar... ou então, esperar pela claridade.
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