terça-feira, 25 de outubro de 2011

mú.

Toda a minha vida fui boi. Atrás de mim arrastei amigos que não iam sozinhos. Empurrei-os para cursos, para namoros, para o estrangeiro, para a vida... Empurrei outros (e outras) que não tinham coragem de enfrentar decisões. Escolhas difíceis, que significavam ir por caminhos escuros na vida, mas que era por onde realmente queriam ir, e lá vai o Wolve a fazer de candeia. Todos os dias empurro garotos sem expectativas de vida, sem sonhos... Todo o ano tento insuflar qualquer coisa neles, e nalguns até consigo. Empurrei miúdos quando ninguém dava nada por eles (nem eles mesmos) e enfiei-os quase à força no ensino superior, para espanto de muito boa gente que profetizava para eles uma vida na fábrica de queijos. Empurro pais de alunos!, que não sabem o que hão de fazer às negas dos filhos... Toda a vida fui boi, à frente ora duma, ora doutra carroça...

E a mim, quem me puxa?

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