Toda a minha vida fui boi.
Atrás de mim arrastei amigos que não iam sozinhos. Empurrei-os para cursos, para namoros, para o estrangeiro, para a vida...
Empurrei outros (e outras) que não tinham coragem de enfrentar decisões. Escolhas difíceis, que significavam ir por caminhos escuros na vida, mas que era por onde realmente queriam ir, e lá vai o Wolve a fazer de candeia.
Todos os dias empurro garotos sem expectativas de vida, sem sonhos... Todo o ano tento insuflar qualquer coisa neles, e nalguns até consigo.
Empurrei miúdos quando ninguém dava nada por eles (nem eles mesmos) e enfiei-os quase à força no ensino superior, para espanto de muito boa gente que profetizava para eles uma vida na fábrica de queijos.
Empurro pais de alunos!, que não sabem o que hão de fazer às negas dos filhos...
Toda a vida fui boi, à frente ora duma, ora doutra carroça...
E a mim, quem me puxa?
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