Dizem que a morte limpa o caminho para os mais novos. Mas não creio que seja só isso. A morte tira também do caminho as rédeas que os mais velhos poriam nos dentes da juventude audaz. E assim se repetem ciclicamente os erros de tantas gerações.
O trabalho de um estudante é progressivamente mais difícil, quanto mais gerações tem para trás de si. É sua obrigação ler, aprender e investigar o que se sabe já, antes de se lançar na procura de novas verdades. Ao mesmo tempo, o mundo evolui, e o que é verdade hoje, deixará de o ser amanhã. Se é que existe o conteúdo concreto que correspondemos à palavra “verdade”; há quem defenda que por detrás do conceito, a própria verdade em concreto é conceptual e depende do ângulo... adiante.
Em suma, há que saber o que vem de trás, antes de caminhar em frente. Ao mesmo tempo que o mundo avança, e cada vez mais depressa. Depois há o esforço de actualização, em muito auxiliado por todos os que se dedicam à compreensão, compactação, categorização, codificação, e outro sem fim de outras actividades acabadas em c-de-cedilha-e-ão, que se por um lado são de extrema utilidade, por outro consomem a mão-de-obra, ou neste caso o cérebro-de-obra.
Isto para não falar nos que contestam, verificam, rectificam, e os que psicanalizam a persona de t-o-d-o-s os anteriores, repetindo para cada caso toda uma nova linha de raciocínio, passível de correr de novo todo o flowchart.
É por isso que é necessária a morte. Para tirar da frente os que estão fartos de saber, os que acham que já sabem tudo, os que se acomodaram, e os que, chegado ao fim da linha, acham que afinal não sabem nada. Os que se revêm em toda a gente, os que são bons demais para se reverem em quem quer que seja. Para tirar da frente os que acalmam os mais novos com o pretexto de que no fim somos todos apenas um grãozinho de pó. Porra, não há tempo a perder.
12 comentários:
Só hoje vi o comentário referente a um certo post dirigido à blogo-tripulação. O outro blogue morreu, coitado.
Já agora, foice não leva cedilha. Perdão pela intromissão no português.
corrigido, obrigado. Falta o corrector automático que não uso, por me irritar o acordo.
Eu não uso corrector automático e, ainda menos, o novo acordo.
Por este andar, qualquer dia deixa de existir Português de Portugal e adoptamos o Português do Brasil. Enfim, uma tristeza.
Ah, de nada. Volte sempre que eu estou cá p'ra isso mesmo.
http://deixaqueteconte.blogspot.com/2011/05/caos.html
Vê lá se o encontras!
Só porque reparei no livro que está aí do lado direito. Ou será esquerdo? C'um mil diabos! Eu sabia que devia ter ido para os escuteiros.
Claro que encontrei, logo quando olhei. É a mesma edição que a minha. É um livro muito cru, muito à Steinbeck. Não deixa de ser fantástico.
Mas a imagem tem que ser actualizada, já li um depois desse.
Do Márquez prefiro, no entanto, "O amor nos tempos de cólera". Mas o meu preferido de sempre será o "Do amor e outros demónios".
woooo, calma. Ainda não os li todos. Agora vou para as putas tristes.
Esse já li duas vezes. Também está no "caos". Bom, os dois que te referi anteriormente são muito bons. Mesmo.
Pera lá. Vais para as putas que são tristes ou vais ler um livro?
Agora fiquei na dúvida se terei interpretado bem...
Pêlo. Pê-lo. P-ê-l-o.
Vá, não te habitues que isto não dura sempre.
Infelizmente, a morte não leva só os inúteis... esses que já não querem viver, sentir, aprender.
Leva os outros, também, eu sei. Mas também esses terão que dar lugar a outros, jovens. Ja dizia o Steve Jobs.
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