Estou neste preciso momento em que escrevo, sentado no que costumava ser o local de convívio da minha antiga escola. Vim cá fazer turismo, como me dizem a mim. Vim matar saudades daquilo que foi, para o bem e para o mal, a minha segunda casa, vim estar com as pessoas ao lado das quais cresci, que me conhecem desde que eu tinha um metro e quarenta.
Mas tudo mudou. As pessoas ao lado das quais cresci, uma cresceram também, outras limitaram-se a envelhecer. Mas – síndrome comum - todos me esqueceram. A mim e a todos os que saíram nesse ano, comigo. Filhos pródigos que não regressam, exilados.
O edifício lá se mantém, as memorias dentro dele. Os mesmos sofás, as mesmas paredes. Os costumes mais ou menos inalterados, as caras iguais. Mas agora, as gargalhadas são ocas, os sorrisos falsos, os rostos viram-se para o lado à primeira oportunidade. Agora sou o Wolve que já é isto, já faz aquilo. Deixei de ser o Wolve-então-pá-conta-coisas.
Não que alguma vez tenha querido que me tratassem assim, sempre fui – e quem me conhece sabe-o bem – pouco apologista dos “sotor” e do “caríssimo”. As pessoas com quem mais aprendi na vida ainda hoje me tratam por tu, e eu a elas, à excepção de uma que como tem mais 50 anos que eu me trata por “querido” ou “jovem”. Mas estes agora devem achar que os deixei para trás, ou que não sou digno da companhia deles... por isso quando entro na escola, sorriem-me mas não me olham...
O meu bairro é igual ao que sempre foi, eu é que se calhar mudei, desde que deixei de cá morar... mas a verdade é que já não pertenço aqui, com muita pena minha.
2 comentários:
É triste, mas não há escolha... os lugares, as pessoas (...) que um dia nos são tanto, tornam-se estranhos sem sequer o pretendermos...por isso é que os "para sempres" são tão irreais.
o que é pena.
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