Todo o lobo um dia tem que deixar a matilha. Virar as costas e encarar o vento frio de frente. Há os que o fazem aos poucos, os que caem na primeira curva, os que entram a medo.
E há os que o fazem de peito aberto.
Eu fui um desses. Sai de casa sem olhar para trás. "As nossas leis proíbem-nos de te ver partir", e desta vez nem a minha irmãzinha veio dar-me uma adaga de cristal. "There is no altering your fate, my prince. But you can rise to its meeting. Its is your destiny to roam to the lands far to the east and see with yes unclouded by hate." Assim fiz.
Não fui compelido a olhar para trás. A matilha não o mereceu, diga-se também. Esqueceram-me no momento em que pisei o chão para lá das nossas fronteiras. Mesmo que voltasse não me reconheceriam, para ser verdadeiro, nem eu la quero voltar. Agora que me afastei, reparo que nunca estive ligado. Não houve separação. Nunca houve nada que me prendesse ali. Há mais que me liga a esta neve fria do que à minha própria tribo, e nem isso me doi. A neve branca é mais pura que eles.
Agora caminho sob estas arvores mortas, que outrora foram casa a alguém. Agora são minhas. Sou o único que habita estas paragens devastadas pelo frio e pela solidão árida de quem conversa mais com o borbulhar das aguas do rio do que com os da sua espécie. Mas assim é a vida. Caminhos distintos que, quem sabe, um dia se cruzam outra vez.
Não consigo deixar de pensar que um dia voltarei a ver a minha tribo, mas do outro lado do vidro, como quem observa de uma margem para outra...
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