sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

burros, pá! não pensam nas coisas!

É incrível a quantidade de baboseiras que as pessoas dizem quando não sabem do que falam, mas é ainda mais alucinante a quantidade de asneiras que proferem quando JULGAM que sabem qualquer coisita...
Agora, há por ai mais um onda de neo-classicismo, pessoal que -- contrariamente a Ravel e Debussy, ou ate mesmo Stravinsky, na sua linguagem extrema e deliciosa -- acha que "musica electroacustica" é adicionar uma batida aos clássicos.
Justificam-se com a necessidade de cativar o "novo publico" (e usam esta expressão como usam a outra, "novos ricos") e acham que a maneira mais correcta -- eu acho que é só a mais fácil -- é modelar a musica ao gosto do ouvinte (esse publico tem gosto?). Passo a explicar com uma metáfora: A Mona Lisa saiu de moda, o novo publico não sabe apreciar o sfumatto nem tão pouco as nuances da expressão. Não há problema: cria-se por processos digitais uma Mona Lisa pop-art, e é essa que se toma como a "ate do seculo XXI". Ao publico oferece-se uma arte velha e forçada ao cliche comercialista, e nada inovadora, e este vê-se cativado somente porque esta "arte" vai ao encontro daquilo que no momento se convencionou chamar arte, e por isso, se abana as orelhas.
Esse é outro ponto: as pessoas esquecem-se que no tempo de Beethoven, a musica dele era altamente inovadora. Esquecem-se que Saint-Saens saiu a meio da estreia da Sagração da Primavera, aos gritos, porque Stravinsky não sabia fazer musica. Curioso que a Sagração seja só a peça mais importante do sec XX inteiro, precisamente pela inovação estrondosa que foi quando estreou, em 1909, se não estou em erro.
Mas para mais, as pessoas vêm a arte e os artistas como coisas que não são. Apreciam muito concretamente as notas, quando ja dizia Shnabel: "The notes I handle no better than many pianists. But the pauses between the notes -- ah, that is where the art resides!". O que realmente importa no pianismo, esta gente não sabe apreciar porque não sabem ouvir! Importa lá se o piano é Steinway ou Fazioli? Importa é que desses INSTRUMENTOS -- porque não passam de instrumentos nas mãos do artista -- se tira ARTE. E não há arte quando o objecto creativo é um sample de um batida. Há creatividade, mas nunca arte. Porque desde o advento da electroacustica há a separação entre os dois: computadores exprimem creatividade, estilos até. Humanos exprimem arte. Na junção dos dois pode haver arte também, mas so se houver consciencia e exploração dessa dualidade, e para ser concreto e ir ao alvo desta minha critica, não me parece que esse senhor Maksim Mrvica (convido todos os leitores a procurar no youtube) tenha consciencia dessa dualidade. Ou saiba sequer o que está a fazer. Para além de ganhar dinheiro.

PS- é vencedor de vários concursos internacionais, estudou com um discipulo de Michelangeli, estudou depois no conservatório Liszt e em Paris. Não deve ter prestado atenção nas aulas.

Bem, para acabar, para não dizrem que sou só capaz de comentários destructivos, sugiro que em vez de se triturar a sopa para se dar ao bebe, se explique como é interessante a junção do sabor da castanha com a canela. Mesmo sendo a velha sopa de legumes que já Beethoven comia. Talvez seja esse o caminho que levará a que toda a gente entenda a musica e a aprecie. Dando já agora a opção ao ouvinte de não gostar. Eu também não gosto de Ramstein, não é por isso que vou fazer arranjos com flauta transversal.
Talvez assim não se destrua o verdadeiro sentido da musica "classica" e se consiga prosseguir para algo REALMENTE inovador.

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