quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Apoia a cabeça nas mãos quando fala. Subtilmente, os dedos escorregam-lhe para os lábios, acaba por cobrir o sorriso, não quer que lhe vejam as expressões. Acha-se de menos, compara-se, não se contenta consigo próprio. Diminui-se a cada detalhe.
Sabe que é errado. "Era mais fácil se fosses cabrão", dizem-lhe. Ele já sabe, esforça-se por se desembaraçar, desempestar dessas partes de si, e as que não consegue, os seus dedos escondem. Não consegue ser pior, sucumbe a si próprio e apercebe-se disso. Sofre, esconde-se um pouco mais.
Quanto mais haverá para esconder até que desapareça por completo?

Sem comentários: