Diz uma amiga que quando era mais pequena e se enervava, a mãe dava-lhe um saco de frascos de vidro e mandava- ao vidrão.
Ela vingava-se na forma, na cor, na estrutura. Retirava às garrafas e aos boiões o propósito. Partidos, de nada servem, e esse despojar de sentido aliviava-a, ajudava a respirar, era como se partisse ali também o sufoco.
Se esse retirar de sentido é a essência da destruição, o deixar de servir for o sangue, não será isso mesmo que nos faz a vida, para se soltar do que a esgana? Andamos nós todos à procura de um sentido qualquer que justifique os arranhões, as feridas, o estar sempre a lamber os cortes e a remendar as calças...
... para quê?
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