sábado, 17 de setembro de 2011

Os amigos nem sempre são os que estão à porta

Há pessoas com quem convivemos a vida inteira e que nunca chegamos a conhecer. Nem de raspão. Às vezes também não interessa, mas adiante. Acontece muito na escola, no emprego, na praça do peixe e no supermercado. Depois há pessoas com quem vivemos a vida toda, e no fim mais valia não ter dito ola da primeira vez, quando nos apresentámos.
Mas há pessoas que valem a pena. Uma das que vale a pena sofre, hoje, porque outra que não valia fez isso mesmo - provou-o. Seja com intenção ou não, deixou cair o coração que tinha nas mãos.
Há pessoas - como eu, infelizmente - que foram aprendendo, e na casa dos vintes já sabem que o melhor remédio é mandá-los enfiar um ananás bem verde num sítio onde o sol não brilha, dizer foda-se caralho aquela puta de merda é um cona da mãe, o cabrão, respirar fundo e contar até dez. Seguir em frente e aprender com isso - e ir tentando não fazer aos outros, também.
Mas há pessoas que são mais suaves. Mais sensíveis. E essas sofrem. Muito. Demais. Sobretudo neste mundo em que há espinhos a mais. "Este mundo é uma comédia para os que pensam, uma tragédia para os que sentem". Não sei de quem é, mas sei que está certo.

Há pessoas que, apesar de as vermos muito pouco, de raspão, seja lá pela maneira como dizem os S, seja porque fazem covinhas quando sorriem, ou só porque olham a direito para as outras pessoas quando falam, ficam mais dentro do coração que os comuns mortais. Deixam saudade. Entram para o clube daqueles que não se espera que desapareçam - estranhamente, mesmo antes de os conhecermos bem, passando à frente dos amigos de infância, a quem mandamos postais no Natal, mensagens nos anos, curtimos o face...


Pessoas com quem nem falamos. Neste caso uma, que apesar de se ter cruzado comigo duas vezes só, ficou. "Gente que fica na história da gente"... Porque um abraço sem sentido (mas sentido) à entrada de um comboio entre dois desconhecidos - absolutamente desconhecidos, para ser sincero - não se esquece.

A essa pessoa especial, linda, um pouquinho frágil (apesar de carregar consigo diariamente um estojo de bisturis!), um abraço. Um abraço grande, porque é merecido. Tu que sabes que é para ti que escrevo, e sabes que te adoro e te respeito, estou aqui. Sempre que precisares.

4 comentários:

S* disse...

Não é preciso estarmos todos os dias com um amigo para saber que o adoramos. Vejo de dois em dois, ou de três em três, as colegas de mestrado. E pouco falo com elas, durante a semana. Mas sempre que nos vemos, a cumplicidade é igual.

Medusa disse...

Obrigada ;)

E não te esqueças, não é fragilidade é sensibilidade!

Beijinho*
p.s.mail

Wolve disse...

Sim, é mais ou menos isso, S*.

Medusa disse...

Pois, é mais ou menos.lol