Estes comentadores de telejornal fazem-me umas certas cócegas nos dentes. Para já, o próprio telejornal faz-me cócegas por todo o lado: primeiro abre 90% da vezes com futebol. Depois repete notícias. E como somos todos narcisistas, ninguém quer saber como estão os outros países do mundo (sabem que há mais para além de nós e de quem nos empresta dinheiro, right? Por exemplo, todos os árabes que se revoltaram, como é que ficou? nunca mais se soube de nada, só do Kadafi...).
Mas em particular, os comentários, as opiniões, os juízos de valor sem qualquer fundamento com que estes senhores impregnam os ouvidos das pessoas... Ainda há pouco estava a ouvir o Sousa Tavares dizer que o Portas irá provavelmente escolher as pastas que menos importam, as que - como ele disse - "não fervem", "não são as que vão por o país a ferro e fogo". E quais são? Segundo a sugestão seriam os negócios estrangeiros, a agricultura e a segurança social.
Permitam-me a pergunta - salto já para a pergunta, não vou nem perder tempo com o facto de ser apenas uma opinião do senhor, e de nem o Portas nem o Coelho terem ainda dito nada sobre as pastas, nem de não se saber sequer se vai haver independentes no governo ou não, nem quantos são os ministros, que ele avançava já como sendo 12 - Não serão essas pastas de vital importância? Se bem me lembro, por alguma razão chamavam à agricultura e pescas o sector primário - o que vem antes dos outros. Aquele que Portugal não tem há anos. Que é responsável por larga fatia das nossas importações. E não será a segurança social também um dos maiores gastadores do aparelho de estado, estando sob mira de reformas atrás de reformas durante anos, governo após governo, sem que ninguém tenha conseguido fazer nada daquilo? Obviamente que os negócios estrangeiros são fulcrais para o país neste momento: devolvam-nos as nossas quotas de pesca, de produção de leite, e de tantas outras coisas. Ainda há gente que quer trabalhar, neste rectângulo de chão, sabiam? Não têm é em quê.
Pena tenho eu que no comentariozinho não tenham falado na pasta - mais importante de todas - da educação.
Deixem-me repetir:
A mais importante de todas.
A pasta em que a Finlândia investiu, e que a catapultou para o estado económico actual.
A pasta responsável pelos recordes mínimos históricos da mortalidade infantil na Suécia. (caramba, começaram com educação primária em 1842!)
Tantos mais exemplos...
A pasta que ninguém quer ver desenvolvida para além da pura estatística, porque se fosse, as pessoas saberiam interpretar o que ouvem quando comentadores como o Tavares lhes enfiam as suas opiniões pre-fabricadas pelas orelhas adentro. Porque enfiam mesmo.
1 comentário:
Se não formos um povo educado, pouco valemos.
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