sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

"Mas porque essa vida? Se gostas de musica, compra os discos e ouve; podias dedicar-te a fazer alguma coisa!"

Dita de uma forma ou outra, esta frase é-me familiar. Sempre foi. Quase como um conselho maternal, as pessoas mais diversas - geralmente também as mais ocas - insistem em fazer-me ouvir esta grande verdade. Como se me estivessem a dar uma grande novidade, a ensinar-me, a falar-me de um mundo que, ao contrário de mim, conhecessem profundamente.
Pois desta eu explico, com carinho e cuidado: fazer música - no meu caso será a música, mas qualquer arte serve - é como masturbar-me, mas com algo mil vezes mais precioso e sensível que os meus queridos genitais. Mesmo quando toco sozinho, só pelo prazer - sim, pra-zer, físico e intenso. A sensação de ter o som na ponta dos dedos, moldar as emoções com as minhas mãos... é uma sensação para lá de descrição. E claro, como qualquer tipo de prazer, acompanhado é melhor: musica de câmara é de fazer até doerem os braços, e tocar em público só não acontece mais porque não me deixam.
Portanto, se para alguns é tão bom ver um filme porno como participar nele... comprem os discos. Eu estou bem assim.

3 comentários:

Carolina Louback disse...

Gostei da explicação e da comparação que me fez pela primeira vez entender a emoção do músico ao tocar e do que a música significa para o músico.

S* disse...

Gosto de ouvir música mas, realmente, para quem sabe tocar/fazer música, a sensação deve ser bem mais intensa.

Sabes como é... o acto solitário é aquele que se utiliza quando não se tem alguém para nos dar uma mãozinha. :D

Wolve disse...

Imaginem ver um filme, ou participar nele. Quer dizer, um das coisas que mais chateia os músicos é que metade das coisas que se fazem, não passam para o ouvinte, e da metade que passa, há mais metade que se perde se o ouvinte não conhecer a obra...

@S*: pois lá está, para mim na música o ouvinte é um complemento. Eu sou perfeitamente feliz com ela sem mais ninguém a ouvir. Claro que é muito bom, mas não é na partilha que está o prazer visceral. É na própria música.