É temerosa esta gente provinciana. Benzem-se de costas para a igreja, de olhos postos na Mercedes amarela do INEM, parada à porta do restaurante, em frente. Multiplicam-se os olhares consternados, as pessoas interrompem os seus afazeres diários junto do grupo que se forma, aos cochichos. Nenhum se atreve a ir espreitar a morte, provavelmente com medo de ver o que também a eles o espera, nao se aproximam da carrinha funerária que diz em letras gordas "suporte imediato de vida".
Que não se preocupem, foi uma velhota que bebericava do vinho da casa, que escorregou da cadeira e se estatelou no chão. Vim de la agora, foi grande o susto, mas pequeno o prejuízo.
2 comentários:
O povinho adora tragédias. E sangue.
não sei se adoraram assim tanto. Aquele tipo de curiosidade é mórbido, sim, mas está muito misturado com o medo católico da morte.
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