terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O mundo vive a duas cores, a duas camadas: eu a preto e branco, o resto lá fora a cores, eles no meio de mim e eu no meio deles. O meu casaco de pedra côa o ar que respiro, contem a névoa, ensurdece a música que passa nas nuvens, os sons da ilusão.
Dentro, há uma banda sonora diferente, um outro ritmo a que o tempo passa, devagar, escorrendo por entre os faunos e os entes que mais ninguém vê, e a neve que cai é só para mim. Dentro, há mais dentes depois do siso, e a mascara é curta e deixa o rabo de fora, o casaco é guardião do resto.
Às vezes sentem o frio à minha passagem; desde que ela morreu que o demónio secou, como peixe fora da água, sufocado e depois carcomido; o calor que emanava tornou-se gelo, e a distancia não é agora uma montanha difícil de escalar com um vulcão imperscrutável e violento, mas uma escarpa: quem se chega tem medo de cair.

6 comentários:

Carolina Louback disse...

Penso em perda. Perda que transforma em pedra de gelo o coração. Um lobo ferido...

My heart hurts ... literally.

Wolve disse...

ferido? Quem?

Carolina Louback disse...

me... ferida... me.

Wolve disse...

do lado de dentro do casaco está-se tão bem...

Carolina Louback disse...

Hum... então vou para o lado de dentro desse casaco já já. Nem mais.

Lady L disse...

Identifico-me. Bastante!
Lobo soft . ^^