Eu sei que é preconceito, que não tem razão de ser, mas eu gosto de preconceitos. Gosto de os observar, de os questionar, de tentar perceber o porquê, verificar, torcer, exagerar, testar. No fim, os preconceitos dão sempre uma bela obra de arte, uma fotografia, até uma quantas palavras.
Não posso fugir, sou preconceituoso por natureza. Aplico os preconceitos a tudo, a mim mesmo incluído, sempre, e à priori. Daí, parto com pensamento critico, descascando a primeira posição.
Mas por muito que tente, pareces – e parecer-me-às sempre – destinada a uma sala cheia de almofadas sobre as cadeiras ornadas, envolta no equivalente requintado a um vestido de flores estampadas e folhos, com a grafonola a passar Wagner, deleitada com a arte e com os bibelôs à tua volta, e com o tilintar esporádico do serviço de chá. Os pensamentos longe, nas épocas douradas da juventude, nos homens de que te apossaste, egoistamente e à bruta; longe nas causas nobres que defendeste mais para a paz da tua própria comiseração – impreterivelmente exercida a cada dia – mas sem qualquer efeito prático.
Eu sei, é preconceito. Provavelmente, um qualquer acontecimento marcante trará ao cimo a tua alma guerreira, fará de ti a mulher que és. Mas até lá, o meu preconceito só me permite ver-te, nesses trajes e nessa cadeira, de olhos meigos, a olhar para algures no passado.
3 comentários:
Hummmm quando criamos uma ideia de alguém é difícil mudá-la. E muitas vezes somos nós que estamos errados...
bem, fiquei hoje a saber que não sou o único a ter esta sensação com a pessoa em questão. A expressão usada foi "old hag". Meets my point.
Hummmm... isso não é lá muito bonito, não. Onde há fumo há fogo.
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