domingo, 4 de julho de 2010

Como a vida dá a volta

Convence-se que desta é que foi de vez. Afasta-se do mundo que conhece na esperança que os novos horizontes lhe alarguem o seu. Aquela fábula novecentista do jovem, filho de boas familias, que se ausenta do País com rumo a Jerusalém, ou mais longe até, e que volta depois, mais rico e mais culto, e traz até um embrulho debaixo do braço, com a coroa de espinhos para a mãe. Mas desta feita com um toque progressista: a intenção é de ficar, enfrentar a língua desconhecida, as dificuldades e as provações, para trazer de volta no embrulho apenas os galões que, de volta à Pátria, envergaria ostentosamente para que a reles gentalha admire.
Lê Proust na língua primeira, tenta Kant também no original, mas depois retrata-se da ousadia e arrisca no Frances - nunca no Portugues, que a tradução vem já em segunda mão - admira publicamente Eça, e não podia faltar o marco na morte de Saramago.
O mesmo com os escritores do som. Venera Callas, Bartoli, Byrn, as suas reservas quanto a Pavarotti, não vá correr o risco de ser considerada amadora por gostar do Mainstream comercialista. Schubert, Wolf, Chopin com uma pequena risada, sim "porque toda a gente sabe que os Lieder são um fracasso...".
Desconhece Franck e Prokofiev, Steinbeck e Orwell, olha para o lado quando se fala em Poe.
Pois é. Sempre dissera que o que mais asco provoca é o verniz, o verniz das fachadas e do cinismo...

...e eu não podia concordar mais.

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