domingo, 12 de julho de 2009

Carta

Foi sem aviso, que chegou. Foi de chapão, à bruta, sem querer saber se é desejada ou não. Chegou, como chegam as coisas inevitáveis que se sabe que têm que chegar, mais cedo ou mais tarde, e tomou o seu lugar sob a confusão das minhas raízes, enraizou-se nelas.
Foi assim, sem um mas ou uma hesitação. Claro como o cair do machado, vai acima, tão alto como os sonhos e as recordações, vem abaixo.
E assim, foi claro. Sereno como o horizonte, depois de caminhar alheado nos pensamentos. O horizonte que se levanta nos olhos e impõe a ordem natural.
Certa manhã acordei, e tudo estava acabado. À minha volta, as cinzas da batalha que acontecia sem que a soubesse, os mortos e o sangue, as espadas entranhadas na terra e os estandartes das memórias. E tu, ao meu lado, a alguns centímetros de mim. Não consegui sequer mexer-me, trespassado de tudo e da calma. O futuro ao meu lado, a dormir. Não deixava de ser uma visão curiosa. O resfolegar calmo da tua respiração e o teu peito que sobe e desce, como as ondas do mar e a rebentação. O sol nascente por entre a bruma da manhã, e o mar em ti.
Foi assim, que se desfez o novelo que sou eu. Sem mais, sem catástrofes, sem coros gloriosos nem raios de luz. Apenas a tua respiração, e duas voltas nas minhas entranhas, o mundo a girar ao contrario. A Crença em ti, e o diluir de tudo o que está por resolver na certeza imperial de que tudo será.

3 comentários:

Lady L disse...

Gostei imenso! :)

Beijinho

Random Blogger disse...

As coisas mais importantes e que marcam a nossa vida, estranhamente, não têm toda a pompa e circunstância que pensamos que iriam ter. Apanham-nos despercebidos. Como se de uma "revelação" se tratasse.

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(Curso de Direito para quê? Eh pa... deve dar jeito ser licenciada em Direito não? ahahaha mas sim, provavelmente Magistratura)

Medusa disse...

este é daqueles que gosto tanto, que fico sem saber como comentar.