Hoje que faz dois anos que escrevi isto, coloco-o aqui.
"Chuva
Chove, la fora.
Oiço as gotas a cair.
O quadro é triste; a noite, seca.
Mãe morta que pariu um cão.
Não ha medo nos gritos da chuva
Nem mesmo quando as grossas pingas
Se estilhaçam no chão, em vidrinhos.
Nem da terra, do pó da terra
Se ouvem surgir gemidos.
Apenas o embater dos vidrinhos no pó.
Assim somos nós, ca dentro
Longe da chuva fria
Longe de nós, frios
Duros, feios, como betão.
Não se ouve um som.
A sabedoria não canta por aqui.
E nós gritamos como loucos.
Não percebemos que fomos núvem
E cair não é o fim
E la em baixo seremos um.
Estou farto de gritar. E o pó é já ali...
Na minha cama,
24/10/006"
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