sábado, 18 de outubro de 2008

oh crap.

Não faço ideia como vim aqui parar. Mas o que interessa é que estou aqui. Agora, como em tantas outras situações da vida, não dá para voltar atrás, nem tão pouco para recuar.



Vim passear, como tantas vezes as minhas azias me obrigam. E dei de caras com um urso.

"Ola" diz-me ele. Eu sorrio de volta. Ele apanhou-me, demasiado perto, nem distancia eu tenho para correr.



Então? Por aqui a estas horas? -- pergunto eu como se nada fosse.

Parece que sim. E tu? vieste passear? -- ele está a medir-me.

Sim. Ficar ao pé dos putos pode ser bastante irritante, sobretudo à noite.

Estou a ver. -- responde como quem lamenta sinceramente. provavelmente sabe do que falo -- Mas os lobos não costumam andar por ai sozinhos...

Eu ando. E vê bem no que dá.

Pois. -- rotunda gargalhada -- Então e agora?

Agora? -- apoio-me numa só perna e encosto-me ao enfezado pinheiro, descontraído. Não vale a pena ter medo, nem pensar muito. A vida às vezes tem estas tramas e depois de dado o nó só a tesourada. -- Eu adoraria sentar-me ai, e partilhar contigo um cigarro e uma cabeça de coelho, mas lobos e ursos não costumam dar-se assim tão bem.

Eu também não estou com vontade de te deixar ir embora assim... -- franze o sobrolho com ar paternal. Encolho os ombros.

Então vamos lá a isso...



E assim cheguei eu a este ponto. Arranco-lhe a cabeça ou deixo-me comer?

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