Todos dormem à minha volta. Rouba-os o sono, tombam um por um, mais cedo ou mais tarde. Fico eu acordado, companheiro das estrelas, dos ruídos estranhos, do camião do lixo impreterivelmente às 4 e 12. Uns porque não conseguem resistir, outros porque aceitam que assim é, porque amanhã é dia de trabalho, porque o papá manda. Eu fico, porque sou assim. Desperto para a noite, é no silêncio que penso melhor, trabalho melhor, sou mais perspicaz, mais interessante até para mim mesmo.
Mas sou-o enquanto os outros não estão. E é uma pena, porque perdem o melhor de mim. E eu perco-me deles. Perco-me de mim.
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