terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

And there he stood

Estendido, de barriga para cima, contra a parede. Na cama de corpo e meio, ela rebolou-se por cima dele como lhe apeteceu, e ele, para não a acordar, deixou-se ficar. Como mais uma peça na cama, mais uma almofada, na qual ela se enrosca, de braços estendidos ao longo do corpo, olhar fixo no tecto que não vê no escuro.
Tem insónias. A respiração pesada dela não o deixa adormecer, mas não se mexe, para não a acordar. Mas na quietude das horas que passam com ele acordado, outra coisa acorda debaixo dele. Tem comichão, mas não se mexe, e a impressão nas costas aumenta e progride. Sente-se preso debaixo do sono dela, dos sonhos dela, e o incómodo aumenta. Já não é só uma comichão, é uma pontada aguda na espinha, que lhe atravessa a carne e os ossos, toma-lhe a coluna inteira num torpor absurdo. Sente-se nauseado, e tem que se virar. Mas não se atreve. Acorda-a levemente e pede-lhe desculpa por ter que vomitar, e ela vira-se na cama para o outro lado, balbuciando qualquer coisa, imperceptível. Ele roda, arranha a pele nas costas com a mão torcida, mas a comichão já se foi e ele não a agarra. Torce-se para trás, estica os ossos para o lado para onde não é suposto estes virarem, sente a dor, relaxa e volta ao sítio. Tudo parece melhor, e ela rebola-se de novo, abraça-o e repousa todo o seu peso sobre ele.

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